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CLÁUDIA SANTA ROSA



  Até quando?

Cerca de 700 estagiários ainda sem pagamento!!!

Em matéria do respeitado vespertino "O Jornal de Hoje", edição desta quarta-feira, dia 08/10/2008, que reproduzo logo abaixo, a Secretaria da Educação e da Cultura do Estado do Rio Grande do Norte (SEEC) informou, através do seu titular, que opera com 3.200 estagiários, atuando em sala de aula e em outras funções. Conforme a mesma matéria, “desse total, 2.477 estagiários já receberam o pagamento e estão em dia com seus salários”, ou seja, 723 continuam sem receber remuneração por meses de trabalho, quando falta pouco mais de dois meses para a conclusão do ano letivo.

Na verdade, na matéria de hoje, o Secretario repetiu o que havia dito na edição do dia 01/08/2008 do mesmo jornal (ponto). É fato: estagiários trabalham há meses sem receber a remuneração de 1 salário mínimo/mês. Este  foi justamente o problema que eu apontei em Carta Aberta à Governadora Wilma Maria de Faria, apelando para que fossem tomadas providências. É razoável tolerar dois ou três meses, mas cinco ou seis é um pouco demais.      

É bom que fique claro, que no dia 09 de junho a então Secretária de Educação ao ser questionada durante audiência, justificou para o IDE WWW.ideducacao.org.br o motivo do atraso do pagamento dos estagiários, aliás, o mesmo motivo apresentado pelo Secretário Ruy Pereira em audiência no dia 07 de julho, oportunidade em que garantiu que os pagamentos seriam feitos até o final daquele mês, pois já havia resolvido a questão burocrática, em viagem feita à Brasília, na semana anterior, logo que assumiu a pasta. Infelizmente, o prazo não foi cumprido e até hoje o problema continua para muitos. Tanto as matérias confirmam como também os casos que eu conheço de bem perto.

Imaginem vocês, contados leitores deste Blog, que dos sábados letivos, previstos em calendário e cumpridos, rigorosamente, pela escola estadual que integro a equipe, o dia 23 de agosto foi marcado pela ausência das professoras/estagiárias, 70% do quadro [!!!]. Naquele dia elas resolveram não ir trabalhar, diante da falta de pagamento. Pensei: ‘o nosso projeto começou a ruir. Temos que segurar. Começou a comprometer a parte pedagógica de maneira mais grave. Agora mais essa, como se não bastasse as professoras que já deixaram esta escola desencantadas com tal situação'. Pensemos: para cada troca de professora, tivemos/temos que começar tudo outra vez e as crianças passam por adaptações que levam tempo. Fiquei indignada com o esvaziamento naquele sábado, porque mexeu, negativamente, com a rotina do nosso projeto, com a cultura escolar que estamos a refazer, comprometendo o que há de mais caro: as aprendizagens das crianças. Porém, eu sabia que não tinha como esperar mais generosidade daquelas educadoras, já estavam dedicando-se além da conta. Eram/são meses de trabalho sistemático sem remuneração, coisa que por muito menos os profissionais do quadro abandonam a sala de aula e a escola. No fundo, a minha tristeza maior foi de vê-las deixarem de ir trabalhar, quando desejava que fizessem algo mais para expressar o que sentiam. Aguardei as duas semanas seguintes, acompanhando os constantes telefonemas da diretora da escola para a I DIRED/SEEC. Naquele órgão, primeiro informavam que os pagamentos estavam indo para o banco, depois passaram a dizer que já tinham seguido. Acompanhei as professoras voltarem do banco, várias vezes, decepcionadas e até revoltadas. É bom esclerecer que, até o momento, duas delas receberam e para as demais permanece o problema.

Diante da realidade que acompanhava/acompanho de perto, das gestões do SINTE/RN divulgadas pelos jornais e pelas panfletagens nas escolas com chamadas para reuniões, assembléias, paralisações, audiências, envolvendo nas pautas, também, o tema dos estagiários ... decidi, eu, Cláudia Sueli Rodrigues Santa Rosa, brasileira, educadora, cidadã que não aceita mordaça, escrever para a Governadora do meu Estado, fazendo um apelo. É uma pena que gestores da Secretaria da Educação e da Cultura não tenham enxergado a dimensão do meu gesto, talvez porque uma história secular de dominação, subserviência e perseguição, juntando-se  aos anos recentes de ditadura militar denunciem os ranços que persistem, que nos acompanham. Paciência!

Integro a equipe da ONG IDE e através dela tenho a honra de trabalhar em parceria com a SEEC e o Instituto C&A, num projeto que contabiliza resultados em favor da formação de leitores de literatura nas escolas estaduais (anos iniciais) de Natal e Parnamirim. Entretanto, a nossa organização rechaça as tentativas de estabelecer vínculos utilitaristas, tampouco de troca de favores, de conveniências ou de homenagens entre as partes envolvidas com os projetos realizados em cooperação. A parceria que temos com a SEEC envolve compromisso, profissionalismo e em cada parte cumprir com as suas responsabilidades, aplicando e gerindo os recursos financeiros acordados, diretamente nas ações que implementa. Nenhuma das instituições (IDE e Instituto C&A) repassa ou recebe recursos do poder público, neste caso da Secretaria. Portanto, integrantes do IDE, individualmente, ou a própria organização sentem-se confortáveis de cobrar, por exemplo, que o Governo resolva o problema do atraso do pagamento dos estagiários por entender que interfere na qualidade da escola pública. O controle social protagonizado pelo IDE ou por seus integrantes nunca deveria ser misturado com a parceria existente entre o IDE e a SEEC no projeto de promoção da leitura, para não corrermos o risco de serem (re)instaladas velhas práticas. São dimensões completamente diferentes, comparadas à mistura de água e óleo.      

Espero, sinceramente, poder ler uma matéria que há tempos me faz falta. Uma matéria, informando que não há mais professores estagiários, vinculados à SEEC, com pagamentos em atraso, entre outras medidas fundamentais que são necessárias para arrumar os recursos humanos da Secretaria da Educação e da Cultura do Estado do Rio Grande do Norte. Parece ser básico sabermos, por exemplo, os locais de trabalho dos 20 mil profissionais que estão na ativa, bem como sabermos o que fazem esses profissionais e a relevância de estarem onde estão... As primeiras notas da coluna de Eliana Lima, edição do matutino “Tribuna do Norte”, também desta quarta-feira, parece ser uma luz no final do túnel. Vou aguardar...   

 



Escrito por Cláudia Santa Rosa às 00h10
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Matéria - O Jornal de Hoje – Natal, 08/10/2008

http://www.jornaldehoje.com.br/novo/navegacao/ver_noticias.php?id_ce=7424

 

"OUTRO LADO

Ruy Pereira rebate acusações de descaso com a educação estadual

Secretário disse que estagiários estão recebendo pagamento e que não pode impedir o direito do professor tirar uma licença-médica

O titular da Secretaria Estadual de Educação e Cultura (SEEC), Ruy Pereira, rebateu esta manhã as insinuações de descaso do Governo do Estado com a educação pública, apresentando números que comprovam o trabalho da sua gestão frente a SEEC. Ele contesta uma carta aberta publicada nos jornais e endereçada à governadora Wilma de Faria, assinada pela coordenadora de projetos do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), Cláudia Santa Rosa, em que cobra da governadora o pagamento dos estagiários que lecionam nas escolas da rede pública estadual. Além disso, ele critica reportagens denunciando a falta de professores em sala de aula, além da repercussão da carta entrevista dada pela professora Eleika Bezerra, que também integra a equipe do IDE.

Ruy Pereira questiona da professora Cláudia Santa Rosa o porquê de sua preocupação com o pagamento dos estagiários não ter sido encaminhada inicialmente numa reunião ocorrida após sua posse na Secretaria, em que recebeu também a professora Eleika Bezerra. O grupo reafirmou no momento, a intenção e o interesse em manter a "parceria salutar" existente entre a SEEC e o IDE. Ele não compreende a preocupação externada só após sua posse, afirmando que poderia ter sido publicizada a priori em período anterior, ou seja, se o pagamento estava atrasado desde o mês de fevereiro desse ano, "é no mínimo estranho" o posicionamento das professoras apenas no mês de julho, e no período em que começou a efetuar o pagamento dos estagiários.

Ruy disse ainda que durante o encontro com as professoras, em nenhum momento elas questionaram o pagamento dos estagiários. No entendimento do secretário, antes de publicar uma carta à governadora, a educadora deveria, por lógica, ter questionado o assunto primeiro com o titular da educação, designado pela chefe do executivo para administrar a pasta. Ele ressalta que nem o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do RN (Sinte-RN), "foi tão agressivo ao tratar deste assunto", lembrando o papel histórico do Sinte-RN na defesa dos profissionais da educação. Ruy Pereira externou o bom relacionamento que vem tendo com o Sinte-RN.

O secretário afirma que recebeu com "espanto" o posicionamento da representante do instituto, ressaltando a "parceria exitosa, saudável e que vem sendo trabalhada com tranqüilidade para que permaneça e se estenda por todo o RN", como por exemplo, os incentivos do Governo do Estado durante a realização do seminário "Prazer em Ler", que totalizaram em 2007, R$ 12.800 e em 2008, R$ 17.120. Participam do "Prazer em Ler" 78 escolas na capital e três em Parnamirim, totalizando 19.155 alunos e 160 professores.

ESTAGIÁRIOS EM DIA

Atualmente na rede pública estadual de ensino, estão cadastrados e atuando 3,2 mil estagiários, sendo que desse total, 2.477 estagiários já receberam o pagamento e estão em dia com seus salários, tendo o Estado usado recursos superiores a R$ 4,5 milhões para quitar o débito com os universitários.

Com relação aos estagiários ainda com salários atrasados, o secretário explica que há uma morosidade no trâmite legal para o pagamento, uma vez que é necessária a apresentação de declarações tanto da instituição de ensino onde o universitário está vinculado, como também da unidade escolar em que atua. Porém, já está em caixa um montante no valor de R$ 11 milhões para pagamento até o final do ano, sendo que R$ 10.667.415 já estão empenhados para o pagamento dos débitos em atraso. "O que está moroso não é o pagamento e sim o trâmite da documentação", destacando que "nenhum estagiário trabalhou ou vai trabalhar de graça, pois todos vão receber de forma integral".

O secretário esclarece ainda que nenhuma vaga ocupada por estagiário pode ser substituída pela contratação de um professor efetivo, visto que, essa vaga pertence a um profissional do quadro que no momento se encontra afastado por motivos vários e todos assegurados pela legislação, sendo impossível abrir vagas de concurso para substituição.

Ruy Pereira disse que o processo de seleção para estagiários em 2009 vai priorizar os estudantes que moram nas Residências Universitárias e Casas de Estudantes, lembrando que o limite máximo do estágio é de apenas um ano, renovado por outro. A bolsa do estagiário é de um salário mínimo, além de uma apólice de seguro-saúde. "É importante destacar que o estagiário não é substituto do trabalhador e nem mão-de-obra barata. Ele tem a oportunidade de aprendizado quando atua numa escola", reforçando que nem todos os estagiários da SEEC estão em sala de aula.

FALTA DE PROFESSORES

 Responsável por gerir 25% do orçamento estadual, a SEEC mantém em seus quadros 32 mil profissionais, sendo que desse total 12 são aposentados e 20 mil estão na ativa, subtraindo desse número 6,5 mil afastados da sala de aula. O secretário reafirma que todos os profissionais afastados de suas funções estão acobertados por lei, e que na sua gestão, "lei não se discute, se cumpre".

Para exemplificar, o secretário afirma que 1.555 professores estão de licença-prêmio e 1.985 em tratamento de saúde, além de situações de licença para interesse particular e de adaptação. "É bom lembrar que esses profissionais vão retornar à sala de aula e, por isso, a importância do estagiário". Desde que assumiu a SEEC, Ruy Pereira já convocou 603 professores concursados.

COMPROMISSOS

O secretário explica que o Sinte-RN apresentou uma pauta de reivindicações com 18 pontos, sendo 12 de ordem financeira e oito já foram negociados. O titular da SEEC disse que existia um débito de R$ 6,5 milhões com aproximadamente seis mil professores e que foi negociada com quitação em quatro parcelas até o mês de dezembro desse ano. "Estamos pagando horas suplementares, dívidas de vencimento básico, aposentadorias, abono de permanência, cargos comissionados, qüinqüênios e alterações de carga horária", afirmando uma relação cordial com a categoria e com o sindicato. "Sou professor e médico e nunca iria censurar o direito das categorias das quais pertenço", finaliza."

Repórter: Riccelli Araújo



Escrito por Cláudia Santa Rosa às 21h08
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Matéria - O Jornal de Hoje – Natal, 01/10/2008

Cidade

Falta de professores irá provocar "apagão" na Educação estadual

Previsão é do secretário de Educação do Estado, Ruy Pereira, afirmando que 6.500 professores estão fora das salas de aulas

 

Apesar de ser uma das secretarias estaduais com maior número de servidores, a pasta da Educação no Rio Grande do Norte apresenta efetivas possibilidades de "apagão" nos recursos humanos. É o que admite o secretário estadual de Educação e Cultura, Ruy Pereira. Ao todo são 40 mil servidores, sendo 32 mil professores, entre aposentados - 12 mil, que representam um investimento de R$ 15 milhões, ao mês, na folha de pagamento - e ativos, cerca de 20 mil. Do total de ativos, o montante de 6.500 professores estão fora da sala de aula, o que significa prejuízo direto aos estudantes da rede estadual. "A gente não cede professor para outros setores, porque acreditamos que lugar de professor é em sala de aula, mas temos um contingente razoável de profissionais afastados por problemas de saúde", observa o secretário, enfatizando que está havendo abusos por parte dos funcionários, principalmente nas readaptações de função.


As justificativas para a quantidade de educadores longe da função primordial de educar crianças e adolescentes temporariamente são diversas: licença premium, licença maternidade, acompanhamento de parentes doentes, aposentadoria e readaptação de função por problemas de saúde. Somente por tratamento de saúde, são 1.985 professores afastados do trabalho. Além disso, 271 deixam as salas de aula para acompanhar familiares doentes. "Vamos sensibilizar a junta médica, porque estes números são muito elevados", diz. Um total de 224 professores também deixou de lecionar para trabalhar nas eleições municipais deste ano. A situação de déficit de profissionais é ainda mais significativa quando se observa o número de profissionais que se aposentaram este ano e os que estão em trâmite para aposentadoria: 1.892. Todo o quadro de pessoal da Seec requer quase R$ 50 milhões para seus honorários trabalhistas.


Diante da deficiência no número de educadores, a rede estadual de ensino conta com três mil estagiários - não somente nas salas de aula, mas em todos os setores da Seec - para substituir temporariamente os efetivos. Alguns dos que substituem os professores estão com os salários atrasados desde o mês de março, no entanto, Ruy afirma que a maior parte já teve a pendência resolvida. "Cheguei, em julho, à Seec e este atraso já acontecia, porque, no termo de cooperação com o MEC, a função dos estagiários estava errada e o Ministério da Educação não aceitou a rubrica", explica o secretário. O MEC oferece parte dos recursos para o pagamento dos profissionais. Diante deste equívoco, os estagiários trabalharam "de graça" por mais de três meses para o Estado. "As escolas também demoraram para nos enviar os documentos dos estagiários e, assim, não temos como liberar o recurso que já está empenhado", salienta Ruy. Em Natal, 861 já receberam e, no RN, são 1997.


A carta aberta à governadora, escrita pela pedagoga Cláudia Santa Rosa, coordenadora pedagógica da Escola Estadual Hegésippo Reis, em Nova Descoberta, relatando o problema dos contratados e os prejuízos que se reflete nos estudantes, foi respondida sem fazer referência ao problema central, segundo ela, e sem uma assinatura específica de um representante da Seec. O Ministério Público foi acionado pela organização não governamental IDE, cuja missão também é de controle social, para apurar a real situação dos recursos humanos da educação do RN.

 

Repórter: Redação

Disponível em versão online: http://www.jornaldehoje.com.br/novo/navegacao/ver_noticias.php?id_ce=7309



Escrito por Cláudia Santa Rosa às 20h36
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Educação e Leitura

Logo mais, às 21h, ao vivo, pela TV Universitária, tomarei parte da mesa de dabates do programa "Grandes Temas", promocão da TV Universitária e Projeto Ler/Diário de Natal. Também participam a escritora Salizete Freire, representante da Secretaria de Estado da Educação e da Cultura, Marly Amarilha, professora da UFRN e Adriana Amorim, do Diário de Natal. Os telespectadores podem participar enviando perguntas e comentários por telefone.



Escrito por Cláudia Santa Rosa às 00h26
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Diário de Natal, 28/09/2008

 

PONTO CONTRA PONTO - ACESSO AO ENSINO SUPERIOR

O vestibular ainda é o melhor método para avaliar o aluno?

Sim- Lúcia Santos, Professora UFRN


“Um exemplo vitorioso é o argumento de inclusão social, que consiste num bônus para alunos da rede pública”


O vestibular é o processo mais tradicional de acesso ao ensino superior. Consiste na realização de um exame, acerca dos conteúdos desenvolvidos na educação básica, em que são aferidos conhecimentos dos estudantes sobre competências desenvolvidas a partir da aprendizagem desses conteúdos. Não obstante essa consagração, vem sendo duramente criticado nos últimos tempos, levando à procura de outras formas de seleção, com a utilização dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio e o processo seriado. As principais críticas são, dentre outras, de ôque não mede conhecimentoö, que provoca enorme tensão para os estudantes que o prestam, que provoca a exclusão social quando valoriza aspectos cognitivos mal desenvolvidos pela escola pública. Sob esse ponto de vista, estudantes que possuem plena capacidade de freqüentar um curso superior esbarram na falta de habilidade em uma outra ciência e não conseguem aprovação no certame.


As universidades públicas têm uma relevante função de promover a inclusão social. Esse fator torna-se tão mais preocupante quanto se vê a má qualidade do ensino médio na escola pública, atestada pelos indicadores avaliativos do Ministério da Educação. A cada ano há um contingente enorme de alunos advindos dessas escolas que, por não terem acesso a um bom ensino, não logram aprovação no vestibular. Essa realidade é preocupante para a universidade pública, que tem como função precípua, produzir e disseminar o conhecimento, contribuindo para o desenvolvimento humano, comprometendo-se com a justiça social, a democracia e a cidadania. Entretanto, por exigir um mínimo de preparação cognitiva do estudante, para ingressar no ensino superior, esse cenário representa um desafio para a universidade pública. Como conciliar a necessidade de inclusão com um mínimo razoável de mérito? O ideal era que a educação básica na rede pública melhorasse e todos concorressem em mesmo nível de igualdade. Mas uma mudança desse matiz leva anos para se concretizar, apesar dos esforços que vêm sendo feitos pelos programas governamentais. Diante disso, questiona-se: a universidade vai ficar inerte a essa situação de exclusão, esperando que o ensino médio adquira a qualidade desejada? Decerto que não. Deve haver políticas inclusivas que abra as portas da universidade para os candidatos advindos da escola pública, mas que exija um mínimo de preparo cognitivo. Um exemplo vitorioso é o argumento de inclusão da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que consiste na concessão de um bônus de pontos ao aluno da escola pública que, somado aos que ele alcançou no vestibular, elevam o seu argumento final. Essa combinação permite que muitos alunos sejam aprovados, alunos esses que não o seriam pelo simples argumento de realização das provas.

Outra crítica comum ao vestibular é de que ele não mede conhecimento. De fato, em moldes antigos, quando era valorizado apenas o aspecto da memorização, essa afirmação podia fazer algum sentido, pois predominava a aferição dessa habilidade. Mas esse fator também é superável, pois é possível elaborar questões que exigem competências e habilidades que contextualizem o conhecimento daquela matéria, exigindo compreensão, capacidade crítica, raciocínio lógico, raciocínio abstrato, desenvolvimentos da linguagem, dentre outras que valorizam a expressão cognitiva em todo seu potencial. A UFRN, em meados dos anos 1990, adotou esse modelo do Argumento de Inclusão, que é reconhecido em todo o Brasil, servindo de referência para outras universidades.


Universidades públicas o vestibular é um processo seletivo considerando que ele contribui para a melhoria da educação básica e da qualidade acadêmica desejada para o ingresso no ensino superior.



Não - Cláudia Santa Rosa, Doutora e Mestre em Educação



“O vestibular passou a ser a solução para descartar uma parte das pessoas que desejava ascender socialmente”

Diria que sim, caso me perguntassem se o vestibular ainda é a melhor forma de decidir sobre os que terão direito às poucas vagas disponíveis para o acesso a Universidade. Com isso, quero dizer que reconheço a avaliação da aprendizagem escolar enquanto um processo, que não se encerra na elaboração, aplicação/resposta e correção de provas, modo como acontecem os concursos e, especificamente, o vestibular com seu ritual e provas abordando conteúdos cada vez mais previsíveis. Deste modo, percebo que o vestibular consegue sim examinar fragmentos de alguns conteúdos curriculares do ensino médio, tendo em vista decidir sobre os candidatos que serão premiados com uma das vagas existentes para o curso escolhido, conforme a lógica da classificação.

Vale a pena pensarmos o tema, à luz da História do Brasil. Ela dá conta de nos dizer que, desde sempre, o ensino superior foi permeado por um caráter elitista. Basta pensarmos que as primeiras escolas de ensino superior foram criadas no início do século IX, com a chegada de D. João VI. Até então os jovens da aristocracia se deslocavam para Portugal, com o objetivo de cursar uma escola superior. Um século depois, foram introduzidos os exames para definir o ingresso no ensino superior e com eles vieram diversas transformações, compreendendo etapas preparatórias ou anteriores à Universidade. O sistema foi promovendo alterações, motivado pela necessidade de resolver o problema da demanda por vagas ser maior do que a oferta.

O vestibular passou a ser a solução para descartar uma parte das pessoas que desejava ascender socialmente, através de uma maior escolarização. Tornou-se um emblema da exclusão de muitos jovens que teriam capacidades para ingressar no ensino superior, sobretudo em instituições públicas, mas que ficam de fora por décimos ou pontos a menos do que os que obtêm sucesso. Neste caso, flagrantemente, a avaliação cede lugar para a mera classificação e o sucesso é representado não somente pelo conhecimento, mas pelo fato do candidato conseguir se encaixar no quadro de vagas existente, por ter acertado pouco mais do que outros e não exatamente por conhecer o indispensável para o ingresso no ensino superior, como até já se deu no passado.


A Lei nº 9.394/1996 instalou a não obrigatoriedade de exames vestibulares, possibilitando que possam ser substituídos por processos de seleção estabelecidos pela própria instituição de educação superior, sinalizando aberturas para que os jovens sejam examinados e em alguns casos também avaliados. São exemplos de iniciativas alternativas: a valorização das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), estruturado a partir de um quadro de competências; o Programa de Avaliação Seriado (PAS), da Universidade de Brasília; o Programa de Ingresso ao Ensino Superior da Universidade Federal de Santa Maria (PEIES); o Sistema de Avaliação do Ensino Médio (SAEM) de Santa Catarina; Sistema de Avaliação Progressiva para Ingresso no Ensino Superior, entre outras. Todas elas configurando-se em formas mais humanizadas de acesso ao ensino superior, transcendendo a hegemonia dos concursos vestibulares no formato que temos e que, anualmente, tanto atormenta jovens, familiares e professores.

Urge, portanto, que este debate aconteça transversalizado por temas, como: a qualidade da educação básica que precisa oferecer as condições para garantir a inclusão social dos que não ingressam no ensino superior; a urgência de boas escolas profissionalizantes que não substituam, mas que complementem a educação básica e, finalmente, que seja pensado o papel do ensino superior numa sociedade que não consegue oferecer condições de acesso para todos.



Escrito por Cláudia Santa Rosa às 00h19
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Seminário Potiguar Prazer em Ler - 2008

Com o objetivo de estimular a troca de experiências entre escritores, educadores e instituições de ensino do Estado do Rio Grande do Norte e promover a leitura literária nas escolas, será promovida a segunda edição do Seminário Potiguar Prazer em Ler, de 24 a 26 de setembro, no Hotel Praiamar, na Praia de Ponta Negra, Natal. O evento é resultado de uma parceria entre o Instituto C&A, a Secretaria Estadual da Educação e da Cultura (Seec) do Rio Grande do Norte e o Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE).

 

Serão realizadas mesas-redondas e conferências com escritores locais e de outros Estados, e as seis escolas premiadas do concurso Prazer em Ler – Escolas Públicas 2008, no Rio Grande do Norte, irão receber o prêmio de cheques-livro durante a solenidade de abertura do evento. No total são 10 escolas finalistas e entre elas seis serão premiadas com cheques-livros.  “Foi observado o esforço de todas as escolas inscritas de promoverem a leitura literária junto as suas comundiades. As que ficaram de fora do quadro de finalistas não são menos importantes”, explicou a coordenadora técnica do projeto, Cláudia Santa Rosa. A Comissão decidiu conceder o título de "Projeto Destaque" para a Escola Estadual Hegésippo Reis, por se tratar de uma instituição de referência para o programa "Prazer em Ler", em Natal. O estágio avançado do seu projeto coloca a mesma em situação de vantagem perante as outras escolas e a Hegésippo Reis não concorreu à premiação com as outras escolas.

 

As 10 Escolas Finalistas, por ordem alfabética, e entre elas as premiadas

Escola Estadual 12 de Outubro

Escola Estadual Alberto Torres

Escola Estadual Clara Camarão

Escola Estadual Dr. Manoel Dantas

Escola Laboratório Presidente Kennedy - Premiada

Escola Estadual Jean Mermoz - Premiada

Escola Estadual Professor Joaquim Torres - Premiada

Escola Estadual Leão XIII - Premiada

Escola Estadual Maria Cristina - Premiada

Escola Estadual Professora Stella Gonçalves - Premiada

 

Haverá, ainda, um sarau de encerramento, em referência aos 100 anos sem Machado de Assis e a poética da mulher potiguar, com a presença de voluntários da C&A, representantes do Projeto de Difusão da Literatura Feminina Potiguar, e da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte. Outros momentos literários serão realizados ao longo da programação, sempre conduzidos por crianças de escolas envolvidas com o programa “Prazer em Ler” e Voluntários do Instituto C&A.

 

 

Estética na literatura infantil

Uma das atrações do Seminário Potiguar Prazer em Ler será a conferência da escritora carioca Laura Sandroni, uma das criadoras da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Na conferência “A estética na literatura infantil para as crianças”, no dia 25/09 (quinta-feira), às 13h30, a autora irá traçar a história da literatura infantil no Brasil e no mundo.

 

“Mostrarei como surgiu esse gênero, que tem raízes nos contos dos Irmãos Grimm e das fábulas de Esopo e La Fontaine”, diz. A escritora elogiou a iniciativa do projeto Prazer em Ler para a formação de novos leitores e a necessidade de não transformar a leitura em um castigo ou obrigação para os jovens leitores. “Destaco a aproximação das crianças com os livros, mas considero fundamental neste projeto a capacitação dos professores para que sejam mediadores de leitura”.

 

Outro destaque do evento é a escritora e ilustradora mineira Ângela Lago. Em sua conferência “O papel da ilustração em um livro”, em 26/09 (sexta-feira), a partir das 8h30, ela falará da combinação entre imagem e texto e a importância do movimento de página.

 

“Participei também da edição paulista do Seminário Prazer em Ler, no ano passado, e considero essencial a formação de um leitor mais sofisticado”, diz. A autora - que concorreu por três vezes ao Prêmio Hans Christian Andersen de ilustração do International Board on Books for Young People (IBBY) -, retornou, recentemente, da Espanha, onde ministrou curso para ilustradores europeus.

 

Formação do leitor

Já o escritor local José de Castro é um dos convidados da mesa com escritores “Impressões do escritor de literatura sobre o processo de formação do leitor”, no dia 26/09 (sexta-feira), às 10h30. Autor de variados gêneros literários, Castro irá ressaltar que não existem receitas para estimular a leitura junto às crianças. “Acredito que ninguém é despertado para a leitura se não tiver entusiasmo. A leitura inaugura-se no coração. Os olhos são apenas um detalhe”, ressalta.

 

A professora e mediadora da sala de leitura da Escola Estadual Professor Joaquim Torres, Regina Bezerra Nobre, acredita que o encontro será uma oportunidade especial para a apresentação das experiências desenvolvidas nas escolas e dos planos de gestão dos espaços de leitura.

 

“Realizamos diversas atividades ao longo do ano, que visam incentivar o prazer da leitura nas crianças”, diz. A instituição de ensino de Natal, que conta com um acervo de 600 livros e o envolvimento de cerca de 200 alunos, participará do Momento Literário, no dia 25/09, a partir das 15h.

 

Expectativa

             O diretor presidente do Instituto C&A, Paulo Castro, afirma que o seminário será o momento para fazer um balanço do trabalho realizado pelo programa Prazer em Ler no Rio Grande do Norte e salientar os avanços obtidos. ”A participação dos educadores, escritores e voluntários servirá de aprendizado e também para mostrar novos caminhos para o Prazer em Ler no Estado”, diz.

            

             Para a coordenadora técnica do projeto e representante do IDE, Cláudia Santa Rosa, a expectativa das instituições parceiras é de que o evento repita o sucesso da edição passada. “A programação irá contribuir para ampliar os conhecimentos de quem atua na área e suscitar o comprometimento político-pedagógico da escola e dos gestores públicos com a promoção da leitura literária nas escolas de Natal e do Rio Grande do Norte”, diz ela.

www.ideducacao.org.br



Escrito por Cláudia Santa Rosa às 07h56
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Educação é prioridade?

Ainda sobre a Carta Aberta à Governadora do RN...

... tenho a dizer que fiquei sensibilizada com o apoio recebido por parte de o “O Jornal de Hoje”, “Correio da Tarde” e “Tribuna do Norte”, jornais diários, que publicaram a Carta Aberta que escrevi à Governadora, professora Wilma Maria de Faria, abordando o problema da falta de respeito do Governo do Estado do Rio Grande do Norte para com os (as) "educadores (as)-estagiários (as)", pessoas contratadas para a função docente que não recebem os seus honorários (1 salário mínimo/mês) com a mesma regularidade com que cumprem as suas atividades docentes. Por esses dias, tomamos conhecimento que alguns foram contemplados com o equivalente a 3 meses de trabalho e que há novas promessas para que a pendência seja resolvida em definitivo. Uma lástima!

Também desejo expressar que fiquei extremamente sensibilizada com algumas dezenas de pronunciamentos que me foram dirigidos pessoalmente, pelo blog, por e-mail, Orkut, telefonemas e pelos colunistas de jornais que registraram em notas. Recebi palavras acolhedoras de amigos (as), colegas e leitores dos jornais já mencionados, de pessoas que ainda não tive o privilégio de conhecê-las pessoalmente, mas que se sentiram contempladas com o meu texto. Foi muito bom saber que muitos entendem que a Educação precisa ser de fato prioridade, ensejando um comportamento coerente dos gestores públicos.

Ressalto, ainda, o meu orgulho por integrar o quadro de associados da ONG Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE) que apresentou denúncia ao Ministério Público sobre a questão. Estamos aguardando os desdobramentos.

Por fim, aos que me perguntam sobre a resposta da Governadora, tenho dito que jamais esperei receber algo escrito e sim atitude para a solução de um problema que nem deveria ter surgido, tampouco perdurar por tantos meses. Em todo caso, compreendo que os gestores públicos e os nossos legisladores vivem um período de intenso trabalho. Porém, com um pouco de sorte e lucidez, quem sabe a partir de outubro ou novembro as coisas tomam o rumo certo e as atenções voltam-se para o principal: os interesses da população e o seu pleno atendimento, através das políticas públicas de garantia de direitos sociais, tão bem sinalizados nas letras. Logo, quando isso acontecer, a Educação passará a ser prioridade também na prática, as escolas receberão tratamento digno, terão professores concursados, as criancinhas aprenderão na época certa, cairá a taxa de analfabetismo e todos seremos felizes para sempre. Há sempre uma esperança. Quem sabe...



Escrito por Cláudia Santa Rosa às 10h12
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Carta Aberta à Governadora do RN

 

Respeito faz bem aos Profissionais da Educação

Senhora Governadora Wilma Maria de Faria,

Faz tempo que aprendi a não generalizar, fazendo o enorme sacrifício de 'separar o joio do trigo', pois sei que, aqui e em algures, atuam excelentes, razoáveis e péssimos profissionais da Educação, assim como há excelentes, razoáveis e péssimos gestores públicos. Ao longo de quase 19 anos de atuação na rede estadual tenho procurado ser crítica, frente ao tratamento que, historicamente, tem sido dedicado à Educação, mas ao mesmo tempo sei que sou tolerante, parceira, compreensiva, esperançosa de que as coisas se resolvam em um tempo razoável. Porém, o fato é que tudo tem limite. Pois bem: há meses tenho acompanhado o enorme sacrifício de educadoras, contratadas como 'estagiárias', que atuam em escolas públicas estaduais, exercitarem a tolerância ao extremo. Falo, especialmente, em nome daquelas que conheço de perto, porque atuam no meu local de trabalho diário, a Escola Estadual Hegésippo Reis, no bairro de Nova Descoberta, em Natal. São pessoas dedicadas e comprometidas com o nosso projeto político-pedagógico institucional, focado em primeiro, segundo e terceiro lugar, na qualidade das aprendizagens das crianças. São educadoras que, efetivamente, pesquisam, planejam, ensinam, aprendem, avaliam, refletem, inovam, cumprem o calendário letivo, são pontuais, assíduas. Não estou a falar de um oásis educacional, nem de uma mega-estrutura de escola, mas de uma iniciativa que tem vida e resultados concretos para apresentar à sua comunidade, exemplo de empreendedorismo, resistência, perseverança e resiliência da sua equipe. Posso afirmar que me refiro a uma escola onde não combina o profissional de postura medíocre, descomprometido, sem utopia, sem respeito pela profissão que escolheu e, por isso mesmo, alguns se foram, quando, contraditoriamente, perceberam que tinham que trabalhar sem alinhavos.

A minha condição de coordenadora pedagógica de tal projeto coletivo, de uma política de Escola, que é mais do que simplesmente cumprir expediente na função de ‘supervisora’, ‘apoio’ ou ‘articuladora’ pedagógica de uma instituição, como queiram denominar, talvez aumente o meu incômodo de ver professoras, ditas ‘estagiárias’, darem lições de profissionalismo ao mesmo tempo em que assisto, perdoe-me a franqueza, o tratamento desrespeitoso por parte do Governo do Estado do Rio Grande do Norte que impõe a essas pessoas, mulheres, mães, esposas, seres humanos, professoras, cidadãs, a dura tarefa de trabalhar sem perceberem os seus pró-labores. Aliás, não custa lembrar de que se trata de remuneração pouco digna para o labor docente que se espera seja de excelência: um salário mínimo. Fico a pensar como pode alguém ser exposto a condições tão impróprias, trabalhando, algumas delas, desde as últimas semanas de fevereiro, até esta data, sem perceberem nenhum centavo. Fico a me perguntar: como posso esperar mais cumplicidade de educadoras que começam a fraquejar, acharem pesado, por exemplo, planejar e estudar aos sábados, na Escola? Ora, elas se alimentam igual a mim, têm contas para pagar ao final do mês, precisam se deslocar de casa para a escola, mas não são reconhecidas, financeiramente, pelo trabalho que realizam. Como posso continuar a esperar dessas profissionais atingirem a qualidade pedagógica que ajudou a colocar a pequenina Escola Estadual Hegésippo Reis, em pouco tempo, na condição de 8º melhor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) entre as escolas estaduais de Natal dos anos iniciais do ensino fundamental e no 10º melhor se consideramos, também, as escolas da rede municipal?

Excelentíssima Senhora Governadora, Professora Wilma de Faria, tem sido constrangedor saber das promessas, quase diárias, de que o pagamento seguirá para o banco e as educadoras saírem felizes, retornando desoladas, desanimadas, sentindo-se enganadas, agredidas em seus direitos, diante do alarme falso, do dissabor de continuarem sem oportunidades de cumprir com os seus compromissos frente aos credores. Espero, sinceramente, que até a publicação do presente texto mais uma das tantas promessas desta vez tenha sido cumprida e o pagamento tenha sido feito e assim sendo, este texto servirá, tão somente, como alerta para o futuro.

Excelentíssima Senhora Governadora, o que falta para resolver tal pendência, devolvendo a dignidade a essas profissionais? Creio que o Governo de Vossa Excelência deve uma solução definitiva para esse problema que envolve uma questão básica. Gostaria de aproveitar esta oportunidade para, de público, dizer da expectativa da nossa Escola, com o zelo e responsabilidade que nos é peculiar, de experimentar uma experiência piloto de gestão autônoma, a partir do repasse do custo-aluno-ano para que a própria Escola, sem deixar de ser pública e vinculada à rede estatal, faça a gestão do seu orçamento e a aplicação financeira dos recursos, de acordo com as necessidades do seu projeto político-pedagógico. Não é verdade que todos os profissionais, todos os livros didáticos, todos os programas e projetos das políticas governamentais servem para todas as escolas, tampouco é verdade que todas as escolas necessitam do número de profissionais que têm, percebendo os questionáveis salários que percebem. É verdade sim, que há escolas formadas por equipes protagônicas, que têm projeto próprio e sentem-se qualificadas para avançar. A Escola Estadual Hegésippo Reis é uma delas e espera não ser tolhida em suas investidas de ajudar ao crescimento da educação estadual a partir do seu próprio crescimento, via construção de uma tecnologia educacional. Aguardo a oportunidade para detalhar essa proposta para Vossa Excelência e/ou equipe da Educação.

Por fim, é possível que se a autonomia financeira da Escola, que ora defendemos, já fosse uma realidade eu não estivesse, neste momento, pedindo respeito perante profissionais que aguardam o que têm direito por muitos meses de trabalho, ou seja, um montante líquido de pouco mais de um mil reais, valores estes que alguns menos merecedores percebem por um mês ou quinze dias para povoarem, de maneira questionável, gabinetes ou mesmo escolas e, com isso, dão uma enorme contribuição para que o Estado atinja o limite prudencial, que tem sido, nos últimos tempos, a justificativa para a falta de solução de problemas históricos. Acredito que este momento da Educação urge por gestores estadistas, de enorme espírito público e capacidade de decisão política, pois algo precisa ser feito com urgência.

Com os meus respeitosos agradecimentos, fico no aguardo de providências, na esperança de poder contar com a sensibilidade de Professora de Vossa Excelência, gestora maior do nosso Estado.

Natal (RN), madrugada de 06 de setembro de 2008.    

 

Cláudia Santa Rosa

Educadora, Cidadã e Eleitora no Estado do Rio Grande do Norte.

 

(Carta publicada, na íntegra, pelos jornais diários "O Jornal de Hoje", "Correio da Tarde" e "Tribuna do Norte", respectivamente, nas edições dos dias 09, 10 e 18/09/2008.)



Escrito por Cláudia Santa Rosa às 23h59
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